
Agência Assembleia / Foto: Meiky Braga
A crescente sobrecarga das mulheres na vida moderna tem provocado impactos significativos na saúde mental e física. O tema foi debatido durante entrevista concedida pela especialista em Planejamento de Vida Real, Érica Costa, ao programa Café com Notícias, da TV Assembleia, nesta segunda-feira (8), que foi apresentado pela jornalista Marcia Carvalho.
A especialista destacou que muitas mulheres vivem uma rotina marcada pelo acúmulo de responsabilidades profissionais, domésticas e familiares. Nesse contexto, a expressão “estou na correria” tornou-se comum, funcionando, muitas vezes, como uma forma de mascarar o esgotamento emocional e físico.
De acordo com Érica Costa, admitir o cansaço ainda é visto por muitas mulheres como sinal de fragilidade ou incapacidade, o que contribui para o agravamento do problema. Entre os principais sintomas da sobrecarga estão irritabilidade constante, esquecimentos frequentes, insônia, fadiga persistente e dificuldades de concentração.
Burnout
A especialista afirmou que o sono é um dos primeiros indicadores de alerta. Despertar recorrente durante a madrugada, especialmente por volta das 3h, acompanhado de pensamentos acelerados e dificuldade para voltar a dormir, podem sinalizar um quadro avançado de exaustão e até o início de um processo de burnout.
Com formação em Administração de Empresas e especializações em Gestão de Pessoas, Comportamento Humano e Psique Feminina Junguiana, Érica afirmou que muitas mulheres foram culturalmente condicionadas a associar descanso à improdutividade. Como consequência, mesmo nos momentos de pausa, permanecem mentalmente ocupadas com listas de tarefas e preocupações.
Durante a entrevista, a especialista apresentou seu método de Planejamento de Vida Real, que consiste em analisar a rotina da mulher para identificar excessos, padrões prejudiciais e demandas que podem ser eliminadas ou reorganizadas. O objetivo é promover mais equilíbrio e qualidade de vida.
Ela ressaltou ainda a diferença entre a imagem de felicidade frequentemente exibida nas redes sociais e a verdadeira sensação de bem-estar. Para a especialista, paz não está relacionada à aparência de uma vida perfeita, mas à capacidade de descansar, dormir bem e viver com tranquilidade.
Invisibilização do sofrimento
A entrevista também abordou a invisibilização do sofrimento feminino. Muitas vezes, sinais de exaustão são minimizados ou interpretados como exagero, o que pode dificultar a busca por ajuda e agravar os problemas de saúde mental.
Dados apresentados durante o programa reforçam a gravidade do cenário. O Brasil figura entre os países com maiores índices de ansiedade do mundo, afetando especialmente as mulheres. Além disso, cerca de 68% dos afastamentos do trabalho relacionados ao burnout e outros transtornos mentais ocorrem entre o público feminino.
Outro fator apontado é a dupla ou tripla jornada. Mulheres dedicam, em média, mais de 21 horas semanais aos cuidados domésticos e familiares, além das atividades profissionais e, em muitos casos, da responsabilidade financeira pelo sustento da família.
Como estratégias de mudança, Érica Costa recomendou que as mulheres desenvolvam maior consciência sobre seus comportamentos, busquem apoio profissional qualificado e reduzam comparações com padrões irreais difundidos nas redes sociais. Segundo ela, a construção de novos hábitos e de uma rotina mais equilibrada é um processo gradual que pode levar cerca de seis meses para apresentar resultados consistentes.
Autocuidado
A especialista também defendeu que o autocuidado deve ser tratado como prioridade. Consultas médicas, exames preventivos, terapia e acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, quando necessário, são fundamentais para preservar a saúde integral.
Ao encerrar a entrevista, Érica Costa reforçou que estar constantemente ocupada não significa ser produtiva e destacou que uma mente saudável é condição essencial para uma vida equilibrada. Ela incentivou as mulheres a assumirem o protagonismo do próprio cuidado e a reconhecerem seu valor para além das múltiplas funções que exercem diariamente.
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