
Agência Assembleia / Foto: Meiky Braga
O programa Café com Notícias, desta sexta-feira (23), recebeu o professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e presidente da escola de samba Favela do Samba, Euclides Moreira Neto, para uma conversa sobre a trajetória da agremiação, os desafios do Carnaval de São Luís e os preparativos para o desfile de 2026.
Fundada em 1951, a Favela do Samba é uma das mais tradicionais agremiações da capital maranhense. Durante a entrevista, Euclides destacou sua relação histórica com a cultura popular e com o Carnaval. “Quando eu entrei na UFMA, fui para o curso de Comunicação ensinar exatamente telejornalismo. Me envolvi, desde a década de 1970, com a área de cultura popular, especialmente o Carnaval”, relatou, ao lembrar o início de sua atuação na área cultural.
O entrevistado também contextualizou a transformação do Carnaval ludovicense ao longo das décadas. Segundo ele, o modelo atual de escolas de samba foi fortemente influenciado pelo padrão carioca, o que impactou a dinâmica local.
“O Rio sempre foi o centro hegemônico de dizer como é que a gente tem que brincar. Havia umas 30 turmas de samba em São Luís, hoje, temos 10 só”, afirmou, ao mencionar a redução no número de grupos e a mudança no formato das apresentações.
Calendário do desfile
Um dos pontos centrais da entrevista foi a crítica ao calendário do Carnaval em São Luís. Euclides defende que os desfiles das escolas de samba ocorram semanas após o período oficial da folia, como estratégia para evitar concorrência com outros polos e fortalecer a economia local.
“Eu sou um defensor de fazer o desfile três semanas após o Carnaval para não ter concorrência com ninguém. Ano passado, tivemos essa experiência [desfile na semana do Carnaval] e foi horrível, o desfile acabou de dia”, disse.
Enredo de 2026
Para o próximo desfile, a Favela do Samba levará para a avenida um enredo com forte conteúdo social e cultural. Neste ano, a escola vai homenagear as quebradeiras de coco babaçu, símbolo de resistência e identidade maranhense.
“Em 2026, a Favela homenageará as quebradeiras de coco babaçu a partir da personagem de Nelinha do Babaçu, menina que buscava o fogo à mulher que trouxe sonhos esperança e fé’”, adiantou.
Apesar dos desafios, o presidente reforçou o compromisso com a continuidade da tradição. “A gente vai sobreviver, a gente é especialista em sobrevivência. Temos que passar para outras gerações essa nossa raiz, essa nossa história”, afirmou.
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