
Agência Assembleia
Durante entrevista ao programa Café com Notícias, da TV Assembleia Maranhão, nesta terça-feira (20), a arquiteta Fabíola Ramos chamou atenção para a forte relação entre o ambiente físico, os hábitos cotidianos e a qualidade do sono. Criadora do método “Quarto Vivo”, a especialista explicou como ajustes simples no espaço onde se dorme podem impactar diretamente a saúde e o bem-estar.
Cerca de 70% da população brasileira sofre com algum tipo de distúrbio do sono. A partir desse dado, Fabíola ressaltou que a arquitetura exerce influência direta sobre o corpo e a mente, uma vez que não existem ambientes neutros.
Segundo ela, todos os espaços provocam estímulos, positivos ou negativos. O foco do método “Quarto Vivo” é justamente o dormitório, local onde as pessoas passam, em média, de sete a oito horas por dia, período fundamental para um sono verdadeiramente regenerador.
Um dos pontos centrais da entrevista foi o conflito entre trabalho e descanso, especialmente com a popularização do home office. Fabíola alertou que manter um escritório dentro do quarto pode confundir o cérebro, que deixa de reconhecer aquele espaço como local de repouso.
“Higiene do sono”
A recomendação ideal é separar os ambientes. Quando isso não é possível, a arquiteta sugere estratégias para minimizar os impactos, como fechar o computador e guardá-lo fora do campo de visão antes de dormir. Outra orientação relacionada à chamada “higiene do sono” é anotar as tarefas do dia seguinte em um papel, ajudando a reduzir a ansiedade e as preocupações noturnas.
A especialista também abordou estímulos ambientais negativos que costumam passar despercebidos. Entre eles, a qualidade do ar, que pode ser pior dentro de casa do que fora, tornando essencial a renovação do ambiente com a abertura de janelas.
Fabíola destacou a importância da limpeza regular do ar-condicionado e mencionou detalhes técnicos, como evitar canos de água atrás da cabeceira da cama, pois ruídos e vibrações podem acionar, de forma inconsciente, mecanismos de alerta no organismo.
Outro fator apontado foi a poluição luminosa. Luzes de aparelhos eletrônicos, como LEDs de televisores e aparelhos de ar-condicionado, além da luz azul emitida por telas, prejudicam a produção de melatonina, hormônio responsável pela indução do sono. De acordo com a arquiteta, o corpo necessita de ausência total de luz para alcançar um sono profundo e reparador.
Ao falar sobre mudanças de hábito, Fabíola defendeu uma transição gradual. Para ela, alterações bruscas tendem a não se sustentar ao longo do tempo. A sugestão é buscar referências positivas, como o conforto de quartos de hotel, investindo em lençóis de qualidade e em um colchão adequado.
Ressignificação do quarto
A arquiteta também destacou a importância da ressignificação do espaço, afirmando que o quarto deve refletir a fase atual da vida da pessoa. Ambientes que mantêm memórias de situações passadas, como um divórcio, podem carregar tensões emocionais que afetam o descanso.
Entre as dicas finais, Fabíola Ramos recomendou manter a temperatura do quarto entre 18°C e 21°C, desativar notificações sonoras e visuais do celular e evitar refeições pelo menos duas horas antes de dormir.
A entrevista foi encerrada com a arquiteta reforçando que o ambiente influencia em até 80% a qualidade do sono e que pequenas mudanças na forma de habitar os espaços podem promover melhorias significativas na saúde física e emocional.
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