
Para ampliar o acesso gratuito a terapias especializadas destinadas a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a Casa de Apoio Ninar, em São Luís, passou a sediar um programa pioneiro de residência em Análise do Comportamento Aplicada (ABA). A ABA é reconhecida como uma das abordagens mais eficazes para o desenvolvimento de pessoas com TEA, mas ainda é pouco acessível de forma ampla e gratuita no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa é resultado de uma parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), a Secretaria de Estado da Saúde (SES), a Faculdade Edufor e o Centro Universitário UNDB. Juntas, as instituições estruturaram um programa de residência voltado à formação de profissionais especializados na área, fortalecendo o atendimento público oferecido pela Casa de Apoio Ninar.
Ao todo, 12 bolsistas foram selecionados para a residência, entre estudantes em fase de conclusão do curso e psicólogos já formados. A proposta é fortalecer a formação prática e teórica desses profissionais para atuarem com intervenções voltadas a pessoas com TEA, em alinhamento com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3 (Saúde e Bem-Estar).
O investimento destinado pelo Governo do Maranhão é superior a meio milhão de reais, garantindo a estrutura necessária para a realização das atividades. A iniciativa é essencial para qualificar profissionais no uso de técnicas comportamentais baseadas em evidências científicas e assegurar o pleno funcionamento das ações desenvolvidas na Casa de Apoio Ninar.
Pioneirismo maranhense
A Casa de Apoio Ninar oferece acolhimento e assistência especializada a crianças com síndromes raras e distúrbios do neurodesenvolvimento. A diretora administrativa, Ana Caroline Arnaud, ressalta que, por meio da parceria entre a SES e a Fapema, o Maranhão se torna o primeiro estado a implantar um Serviço Piloto de Psicologia com base na Análise do Comportamento Aplicada — metodologia reconhecida mundialmente como uma das mais eficazes no tratamento do Transtorno do Espectro Autista.
“A partir da iniciativa do serviço público em oferecer essa intervenção tão rica e necessária por meio do SUS, centenas de famílias que não teriam como arcar com os valores dessa intervenção passam a ter a possibilidade de acessar o serviço, oferecido com todo o rigor científico e metodológico recomendado pelo Conselho Federal de Psicologia”, destaca Ana Caroline Arnaud.
Ainda segundo a diretora da Casa de Apoio Ninar, esse serviço, atualmente, é oferecido majoritariamente em redes particulares ou por convênios de saúde, muitas vezes com valores exorbitantes, o que inviabiliza o acesso para diversas famílias.
A realização do programa de residência na unidade possibilitará o aprimoramento dos tratamentos já disponíveis para pessoas com TEA, além de fortalecer o trabalho desempenhado pela Casa de Apoio Ninar.
“A intervenção da Análise do Comportamento Aplicada [terapia ABA], com ênfase em pessoas com autismo e outros transtornos do neurodesenvolvimento, tem como principal objetivo promover a aquisição de habilidades importantes para o indivíduo, como habilidades de comunicação e linguagem, por exemplo. Além disso, busca favorecer que o aprendiz faça solicitações de forma adequada, expresse suas necessidades e até mesmo inicie e mantenha conversações socialmente esperadas, bem como desenvolva habilidades funcionais essenciais para o dia a dia, como permanecer sentado para realizar uma tarefa importante, uma refeição, entre outras”, explica Ana Caroline Arnaud.
Qualificação dos residentes
Durante a residência, os bolsistas devem explorar a eficácia das intervenções baseadas em ABA, buscando melhorar as habilidades e a qualidade de vida das pessoas com TEA, capacitando pacientes, famílias, cuidadores e aplicadores com técnicas comportamentais.
Entre as residentes graduadas está Mariana Sales, para quem o programa fortalece a rede de cuidados do Estado com as crianças e famílias que têm o Transtorno do Espectro Autista. “Ele tem provocado um grande impacto na minha vida profissional. É enriquecedor, porque fazer parte de um programa como esse é fortalecer o SUS, fazer as políticas públicas acontecerem, alinhar a teoria com a prática de todo o caminho que venho construindo desde a graduação e crescer na ciência, que é o que me movimenta todos os dias”, afirmou a psicóloga.
Taynara de Souza Costa Ferreira, também psicóloga e residente, declarou que o programa tem sido de grande importância para sua carreira profissional e pessoal. “Esta residência tem ampliado minha visão sobre políticas de saúde, fortalecendo minha capacidade de tomada de decisão clínica e aprimorando habilidades como avaliação, elaboração de programas, registro e trabalho em equipe. Assim, me sinto mais segura, com mais sensibilidade social e mais competência técnica”, comentou.
O presidente da Fapema, Nordman Wall, pontuou que, ao contribuir para a melhoria do atendimento em saúde na rede SUS, a Fundação presta um relevante serviço social, tendo em vista que trabalha a partir de recursos públicos.
“Ao financiar bolsas como as deste programa de residência, a Fapema contribui para a formação e o aperfeiçoamento de profissionais de saúde e pesquisadores, aumentando a competência técnica e científica disponível para a rede SUS em todo o Maranhão, alinhando a produção de conhecimento às necessidades reais do SUS e contribuindo diretamente para a melhoria da saúde pública”, concluiu Nordman Wall.
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