
O governo do Maranhão, por meio da Coordenação de Vigilância de Doenças Transmissíveis da Secretaria de Estado da Saúde (SES), promoveu nesta quinta-feira (27) capacitação sobre Manejo Clínico e Diretrizes da Tuberculose (TB) em Adultos. O treinamento foi realizado no auditório do Centro de Comercialização de Produtos Artesanais do Maranhão (CEPRAMA).
"Capacitar, fazer atualização aos conhecimentos dos profissionais de saúde, principalmente para a detecção de tuberculose, é extremamente importante. Por isso estamos qualificando essas pessoas, para que elas consigam identificar a doença em seus territórios, realizem o tratamento adequado e no tempo oportuno", explica a superintendente de Epidemiologia da SES, Dalila Santos.
A qualificação teve como público-alvo gestores, enfermeiros e médicos da Atenção Primária em Saúde dos 217 municípios maranhenses que atuam na assistência direta à pessoa com tuberculose pulmonar.
Com a qualificação, o governo do Estado busca sensibilizar as equipes de saúde para aprimorar o atendimento e ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento precoce, reduzindo a gravidade dos casos.
Entre os desafios a serem vencidos, a subnotificação ainda é um dos principais, principalmente, devido ao preconceito, que afasta a população dos serviços de saúde e atrasa o início da terapia, aumentando complicações, internações e o risco de óbito.
Dentre os temas abordados no treinamento estavam "Articulação e Mapeamento da Disponibilidade do Laboratórios Estadual (IOC/LACEN) e Municipal no Estado", "Vigilância: Processos de notificação, investigação, acompanhamento e encerramento de casos", "Instrumentos de vigilância da tuberculose", "Prevenção: Primária - BCG e Quimioprofilaxia", "Diagnóstico da Tuberculose Sensível: Busca Ativa X Busca Passiva", entre outros.
Ao apresentar a palestra "Apresentação Epidemiológica da Tuberculose Pulmonar em Adultos no Brasil", a consultora da Coordenação-Geral de Vigilância da Tuberculose, Micoses Endêmicas e Microbactérias Não Tuberculosas (CGTM) do Ministério da Saúde, Gisela Unis, enfatizou que a ideia é avançar. "Vejo muito interesse do Maranhão de querer melhorar os índices, como em todo o Brasil. Nosso intuito com a capacitação é colocar todo mundo a par das modificações, das atualizações e tratamentos da tuberculose", disse.
A enfermeira e coordenadora do Programa de Tuberculose de Buriticupu, Maria do Socorro Jacaúna, aponta que a maior dificuldade ainda é a rejeição para a continuidade do tratamento. "A tuberculose tem cura com tratamento adequado e oportuno. Porém, a maior dificuldade é a rejeição ao tratamento por parte dos pacientes. Nossa equipe está comprometida em fazer busca ativa dos pacientes e seus contatos, pois tratar os contatos é crucial para evitar a disseminação da doença".
Para enfrentar esse cenário, a SES tem intensificado as ações de divulgação e capacitação junto aos municípios, a fim de que o estigma seja combatido, ao passo que a busca ativa e o acolhimento dos diagnosticados, assim como dos contatos, seja feito com qualidade, fortalecendo o conhecimento sobre a doença e seu tratamento no estado.
"A oferta de qualificação é um dos pilares da busca de oportunidade de tratamento. Entre esses pilares, o primeiro é diminuir o estigma da doença, depois dispobilizar aos profissionais a busca por melhorias de oferta de serviço em saúde. É importante que quem trabalha na ponta possa estar sensibilizado, a fim de ter um olhar apurado, para que seja oferecida terapia e tratamento oportunos", pontuou o coordenador de Vigilância das Doenças Transmissíveis da SES, Diego Vieira.
Cenário
Segundo dados do Boletim Epidemiológico – Tuberculose, do Ministério da Saúde, em 2024 foram registrados 84.308 novos casos de TB no Brasil, o que representa um coeficiente de incidência de 39,7 por 100 mil habitantes, representando um aumento de 21% no número de casos novos no período pós pandemia da COVID-19 (entre os anos de 2020 a 2024).
Dentro desse cenário, de acordo com o Painel de Indicadores da Tuberculose do Ministério da Saúde, o Maranhão ocupa o 14º lugar no ranking nacional com o maior coeficiente de incidência TB, e o 4º lugar da Região Nordeste. O estado é o 8º no ranking nacional de coeficiente de mortalidade.
Este ano, segundo o Sistema de Informação de Agravos de Notificação da SES, foram registrados 1.940 casos novos de Tuberculose no estado. Ainda de acordo com o SINAN/SES-MA, o perfil demográfico que mais apresenta casos de TB no estado são o de pessoas com idade entre 21 e 30 anos (615 casos - 20,7%), seguido das pessoas com idade de 31 a 40 anos (593 casos - 19,9%), depois os indivíduos de 41 a 50 anos (547 casos - 18,4%), pessoas com mais de 60 anos (533 casos - 17,9%) e de 51 a 60 anos (386 casos - 13%).
Pessoas com idade entre 11 e 20 anos correspondem a 7,7% dos casos novos (228 casos), enquanto que as crianças de 1 a 10 anos 1,6% (48 casos). Em sua maioria, a doença é mais comum em pessoas do sexo masculino, com 2.078 casos (70%), frente ao feminino, com 896 casos (30%).
Assistência
Causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como Bacilo de Koch, a Tuberculose é uma doença infectocontagiosa e pode ser diagnosticada em dois tipos: a Tuberculose Pulmonar e a Extrapulmonar. O principal sintoma é a tosse constante, que pode durar três ou mais semanas.
A transmissão pode ser pelo ar, de pessoa para pessoa, em situações consideradas comuns, como ao falar, espirrar e ao tossir. A doença tem cura, porém, é necessário que o paciente cumpra o programa dectratamento até o final e sem interrupção. O tempo mínimo necessário é de seis meses.
No Maranhão, a Atenção Primária à Saúde (APS), por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS), é a principal via de acesso para pacientes com suspeita de TB. Na Rede SES, a referência estadual para os casos da doença é o Hospital Presidente Vargas, situado no bairro da Jordôa, em São Luís.
No interior do estado, o governo também oferece assistência médica especializada no Hospital Macrorregional "Drª Ruth Noleto" (Imperatriz), Hospital Regional de Bacabal "Drª Laura Vasconcelos" (Bacabal), Hospital Regional da Baixada Maranhense "Dr. Jackson Lago" (Pinheiro) e no Hospital Regional de Caxias "Dr. Everaldo Aragão" (Caxias).
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