
Socioeducandos e servidores do Centro Socioeducativo Florescer, da Fundação da Criança e do Adolescente (Funac), participaram nesta terça-feira, 25, da I Mostra Afrodiaspórica da Socioeducação. Com o tema “Etnias, raça e liberdade: um olhar para o futuro”, a iniciativa integra a programação do mês da Consciência Negra.
Organizados em mesas dispostas nas diversas áreas do Centro Socioeducativo, estavam livros, fotos e objetos referentes à cultura negra, sendo os últimos itens produzidos pelas socioeducandas durante oficinas realizadas este ano. No auditório foram realizadas palestras e apresentação musical. A palestra inicial foi feita por Pai Itabajara Borges, da Casa Ilê Axé Akorô D’Ogum. Ele, que é doutor Honoris Causa e membro da Comissão de Liberdade Religiosa da OAB/MA, destacou que, ainda hoje, o maranhense tem muitas nomenclaturas para definir o negro, tais como tratar pardo como cor de pele. “Fomos educados erroneamente pela mídia, por isso, é uma luta diária e, neste aspecto, o povo de terreiro é um dos grandes responsáveis pela conscientização e aceitação”, disse.
Para ele, a situação vem melhorando com o tempo, apesar dos recentes retrocessos. “Ainda temos muito o que conquistar, pois, hoje, ainda há invasões e destruição de terreiros, uma intolerância religiosa e demonstração de racismo, que são minimizadas pela polícia”, ressaltou.
Em seguida, o cantor Davidson Dias fez uma apresentação em conjunto com as socioeducandas do Florescer. Logo após, a professora do Departamento de Pedagogia da Universidade Federal do Maranhão, Maria do Carmo Alves da Cruz, pós-doutora em Educação, proferiu a palestra “O percurso histórico da luta por educação de pessoas negras”.
Na palestra, Maria do Carmo expôs a maneira como as imagens da África e da Europa vêm sendo construídas ao longo do tempo, relegando aos países africanos o contexto da pobreza. “É um recorte que identificamos, também, nos livros didáticos. Enquanto isso, nos países europeus, são destacadas a riqueza, a prosperidade, inclusive geograficamente”, lamentou.
Ela explicou que este aspecto reforça o racismo estrutural, colocando o negro nas categorias permanentes da pobreza e da bandidagem, ao impedir o acesso a informações. “Existe uma África anterior à colonização, em que haviam reinos, califados e impérios, que promoveram o desenvolvimento de riquezas e de tecnologias utilizadas, inclusive, atualmente. Sem contar as conquistas recentes, que são desconhecidas da população mundial”, afirmou.
História e Cultura
Segundo a presidente da Funac, Sorimar Sabóia, a iniciativa simboliza muito mais do que um evento, configurando-se como um compromisso da Funac com a educação, a inclusão e o fortalecimento da identidade das socioeducandas. “É uma oportunidade de possibilitar o conhecimento, reconhecimento e afirmação da cultura negra em toda a sua força, diversidade e ancestralidade, abrindo portas para que, juntos, possamos construir uma sociedade mais justa, igualitária e plural”, disse.
Sorimar Sabóia destaca ainda que ao reunir mostra com livros sobre a história e a cultura afro-brasileira, permite-se reafirmar o poder da leitura como instrumento de libertação, conhecimento e transformação. “Da mesma forma, os objetos confeccionados pelas nossas socioeducandas nas oficinas práticas demonstram talento, criatividade e dedicação, pois são peças que carregam não apenas a habilidade técnica desenvolvida, mas também sentimentos, memórias e narrativas que resgatam a ancestralidade e expressam um protagonismo muitas vezes silenciado”, finalizou.
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